NOSSA RÁDIO

Em 1989, existia uma rádio na freqüência 92,9 chamada Belém FM. Por questões administravas, a diretoria contratou, em 1992, uma rede de rádios chamada Transamérica. Esta rádio era via satélite e tinha programação gerada nacionalmente e com foco no público jovem.

Com a intenção de trabalhar para o público adulto, o grupo de comunicação que administrava a Transamérica migrou, em 1995, para a rede Antena 1, cuja programação voltava-se para esse público.

Contudo, e apesar de já estar mais próxima do mercado alvejado, a Antena 1 veio com um vício do qual o grupo não conseguiria se esquivar. Como era uma rádio via satélite, privilegiava uma programação musical internacional, sem o toque da cultura nacional, muito menos local, e ainda, cedia um espaço para break comercial de apenas dois minutos, o que inviabilizava a venda de propagandas comerciais a preços acessíveis, dentro da expectativa do mercado.

Com vistas a finalmente acertar o mercado, o grupo RBA - Rede Brasil Amazônia de Comunicação lançou um desafio: precisava criar uma rádio aos moldes da extinta Antena 1, mas com programação musical nacional, adaptada ao gosto do paraense e com um baixo custo operacional. Mas, como montar uma rádio com baixo custo operacional em 1998? Em outubro desse ano Kleber Barros, então operador de áudio - hoje Coordenador e Programador Musical -, navegando na internet (discada, na época), descobriu um sistema de automação digital que consistia num software que assumia todas as funções de uma rádio, e cujo custo consistia apenas na aquisição de um computador para uso exclusivo da rádio, de um programador musical e de locutores.

Adquirido o software, e após dois meses de estudos e testes, foi ao ar, em 1º de março de 1999, a rádio Diário FM, a primeira rádio a operar com sistema totalmente digital em Belém.

A INOVAÇÂO

A inovação agradou. É incrível, o computador toca uma rádio sozinho, 24 horas por dia, dando "Hora Certa", breaks comerciais, informes, notícias, tudo sob o comando de um software. Os locutores são, inclusive, passíveis de descarte, posto que, se a locução for gravada, não é necessária a presença deles em estúdio. Mas, para humanizar a rádio, e torná-la mais próxima ao ouvinte, foram mantidos os quadros de comunicadores, reduzido, mas mantido.

A rádio Diário FM, no final da década de 90, já funcionava com arquivos em formato MP3, uma inovação para a época. Poucas pessoas tinham acesso a essa tecnologia. As músicas passavam por um programa de conversão antes de se tornarem um arquivo MP3, aptas para entrar no sistema da rádio digital.

Segundo Kleber Barros, "A música que você escuta hoje numa rádio sintonizada no som do seu carro não vem mais um disco de vinil ou de um CD, vem de um computador. Em Belém, 80% das rádios usam o mesmo software da Diário FM." Ele afirma que a primeira geração do rádio foi os de freqüência AM, a segunda foi o FM, a terceira ocorreu com a invenção do CD e a quarta e atual é a automação do rádio.